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17.8.12

Bye bye Costa Rica. Hola Panamá!

Já estamos por estas bandas há 5 meses. Começámos na Nicarágua, depois Costa Rica e finalmente Panamá. Em geral posso dizer que a minha experiência na Costa Rica foi positiva. É um país lindo, cheio de vida e com pessoas hospitaleiras e tranquilas. É o país do mundo com maior percentagem de áreas protegidas e onde o estado paga a proprietários para conservar florestas com parte do imposto sobre gasolina! Por outro lado, é um paraíso corrompido pelo turismo, pelos ocidentais (norte-americanos e europeus) que decidem viver ali o mesmo estilo de vida que tinham nos seus países. Em San José, a capital, há um McDonald's ou Burguer King em cada esquina. Os preços da comida ou mesmo água são mais caros que na Europa e os salários são mais baixos.
Para amantes da natureza, principalmente observadores de aves, a Costa Rica é um país a visitar mas com consciência ambiental e cuidado de beneficiar negócios locais.

Panamá parece um meio termo entre Nicarágua e Costa Rica. A paisagem, não tão verde como a Costa Rica, e a cultura latina fazem lembrar Nicarágua. A infraestrutura mais modernas, carros e supermercados demonstram que o Panamá é um país mais desenvolvido. O canal do Panamá é a principal fonte de riqueza do país. Os panamenhos não dependem do turismo e isso nota-se. Aqui no interior do Panamá dificilmente encontramos alguém que fale inglês, mesmo em hóteis. 
vista da quinta Plantacion El Pital, Azuero Península, Panamá
Por agora estamos numa quinta onde se pratica permacultura. Numa região em que muitas árvores foram cortadas para criar pasto para vacas, esta quinta já é um exemplo de regeneração da floresta e práticas mais sustentáveis. Temos aprendido muito aqui na Plantacion El Pital.

14.6.12

uma ilha, dois vulcões

Há uma ilha mágica no meio de um lago, um grande lago! Nicarágua é conhecido pelos seus lagos e vulcões, uma paisagem única. E a ilha Ometepe fica no lago Nicarágua, um segundo maior lago da América Latina. Aqui ficam algumas fotos da nossa semana por lá.
a aventura começa num barco cheio de pessoas, as paredes rangiam, água a entrar e  quase todos "mareados"

a primeira noite num hostel, Indio Viejo

a ilha produz e "exporta" muitas frutas. o solo vulcanico é muito fertil

vulcão Concepcion, ainda está activo!

uma piscina natural, com aguas "milagrosas"

nada tão refrescante como água de côco!

não há muitos autocarros, por isso andar à boleia é muito comum. Aqui estamos numa carrinha com os miudos que  regressam a casa da escola.

subida ao vulcão Maderas (inactivo), custou muito mas valeu a pena o esforço!

floresta nublada (vulcão Maderas)

chegámos ao topo! Eric e o nosso guia.

criaturas da ilha...

regresso a terra!

18.5.12

viajante sustentável

Vivemos num mundo globalizado... não sei muito bem explicar este termo ou se o compreendo totalmente. Mas com certeza um reflexo desse mundo globalizado são as viagens que fazemos. Viajar tornou-se tão banal e para algumas pessoas é mesmo um estilo de vida (nos últimos anos tem sido para mim). Nestes últimos 2 meses conhecemos pessoas que estão a viajar pelo mundo há mais de um ano, alguns dizem que vão fazer uma pausa no Natal para estar com a família :)
Li algures que "viajar é das poucas coisas em que se pode gastar dinheiro que realmente nos deixa mais ricos." Mas viajar também pode ter um impacto negativo, principalmente no ambiente e comunidades locais. Não é preciso ir muito longe, basta pensar em algumas vilas algarvias e isso acontece em quase todo o mundo. Há um grande risco no turismo globalizado, o risco da perda de autenticidade.
Mas acredito que é possível viajar e ter um impacto positivo (em nós e nos outros). Há algumas "regras" que tento seguir (seja no estrangeiro ou em Portugal):

  • Não deitar lixo no chão, reciclar sempre que possível (parece óbvio mas não é raro ver garrafas de coca-cola em áreas protegidas)
  • Não alimentar a vida selvagem (o macaquinho não vai morrer se não lhe der a bolacha, ele vai morrer se o seu habitat natural desaparecer)
  • Comprar em mercados locais em vez de supermercados.
  • Não comprar produtos em vias de extinção (carapaças de tartaruga, corais, peles e penas, madeiras exóticas)
  • Comunicar com as pessoas que vivem nos locais, saber o que se passa, o que gostam, o que os preocupa.
  • Usar meios de transporte públicos (não gosto de taxis)
  • Voluntariado
Parecem coisas lógicas mas infelizmente vejo muitos turistas que se comportam de uma maneira vergonhosa... será que se comportam da mesma maneira nos seus países?
Em Nicarágua o turismo não está muito desenvolvido mas nos lugares em que estivemos encontramos sempre um projecto que vale a pena apoiar porque beneficiam o ambiente e a comunidade local:

Léon - hostel Sonati, um hostel sem fins lucrativos, todos os lucros beneficiam a educação ambiental de crianças das comunidades locais. Um lugar com muitas ideias para reutilizar materiais.
Esteli - Café Luz y Hospedaje Luna, um café e um hostel sens fins lucrativos que apoiam projectos nas comunidades locais, é possível comprar legumes biológicos e encontrar um bom mix de viajantes e locais.
Matagalpa - Café Girassol, um café sens fins lucrativos que apoia o trabalho com crianças com deficiências, têm um centro de educação para crianças com necessidades especiais, um projecto único na America Latina.
Granada - Café de las Sonrisas, criado pela ONG Tio Antonio, um café gerido inteiramente por pessoas surdo-mudas, aqui a linguagem é o sorriso :)
Isla de Ometepe - El Zopilote, quinta ecológica, hostel e pizzeria.
Há mais projectos mas estes foram os que visitei e posso recomendar.
Café de las Sonrisas - Granada, Nicarágua

2.5.12

uma casa na árvore

Saímos da reserva natural de Miraflor em meados de Abril, depois da Páscoa. E decidimos visitar um pouco mais Nicarágua. Estivemos em Esteli, Matagalpa e Granada. Mas precisávamos de um projecto, uma quinta. Não encontrámos uma quinta mas sim uma casa na árvore. Um hostel no meio da selva, mas o meio da selva é só a 15 minutos da cidade! Um lugar espetacular mas não ficámos muito tempo. Os lugares podem ser espetaculares mas o mais importante são as pessoas. E quando as pessoas não estão bem e não querem ajuda, é melhor sair. Ficam as memórias e as fotos:
os nossos vizinhos

aqui as camas de rede são a peça de mobiliário mais popular

vista do bar
nós dormimos ali. confortável mas muitos bichos, incluindo uma tarântula :)

espaço para Yoga

piscinas naturais

pôr-do-sol, o meu momento favorito do dia

18.4.12

Semana Santa em Nicarágua


Em Nicarágua a Páscoa é a maior festa do ano. Aqui quase todos são cristãos, seja católicos ou protestantes. Até os comunitas são cristãos! Há histórias de padres que lutaram como guerilheiros contra a ditadura. E os que não são religiosos também aproveitam esta semana de férias para divertir-se.
E como em todas as festas em todo o mundo tem de haver COMIDA! Mas aqui (na Reserva Natural de Miraflor, escrevi o último post sobre este lugar) não há supermercados nem pastelaria. Desde moer e torrar café, a fazer os biscoitos típicos da época, as pessoas fazem tudo. Nós também ajudámos ;)


o forno feito com barro e pedra está cheio de lenha e quase pronto para assar
mais de 300 rosquillas!!!

Marta a cozinhar o milho para os tamales (massa de milho cozida  em folhas de banana)
preparação dos bicoitos tradicionais rosquillas



 




27.3.12

Miraflor

Na reserva natural de Miraflor, no norte de Nicarágua, ficamos com uma família da comunidade de Sontule. São plantadores de café biológico, pequenos produtores organizados numa cooperativa. (mais info aqui)
O pai da família Don Adolfo, conta-nos um pouco da sua história que está ligada á história da Nicarágua. Este país viveu, tal como Portugal, mais de 40 anos debaixo de ditadura. A ditadura da família Somoza protegia os seus próprios interesses e a elite latifundiária. Adolfo conta-nos que não pude gozar a sua juventude. Sem direito a estudar e perseguidos pela Guarda Nacional, polícia da ditadura, os jovens decidiram pegar em armas para pôr fim à opressão. A revolução aconteceu em 1979 mas a contra-revolução, apoiada pelos EUA e as suas ideias anti-comunistas, provocou uma guerra civil que durou mais de 10 anos. Adolfo lutou pela liberdade durante esse tempo.
Após a revolução, os latifundiários fugiram do país e o governo entregou as terras ao camponeses. Cada um ficou com a sua parcela, mas a com contra partida que trabalhassem em cooperativas. Doña Marta, a mãe da família, conta-nos que nos anos 80 receberam equipas da Alemanha, Holanda e Inglaterra para ajudar nas colheitas de café. Desde então a cooperação internacional tem se mantido. E esta comunidade tem-se desenvolvido com o selo do comércio justo e café biológico.
Finalmente posso ver que o comércio justo não trata de melhorar individualmente a vida dos pequenos produtores mas de promover a educação, a igualdade de género e o bem-estar da comunidade em geral. Com os prémios que recebem do comércio justo conseguiram material escolar, melhorar o centro médico, comprar uma carrinha para uso da comunidade, o que é bastante importante num lugar tão remoto como este. Só há 1 autocarro que vai de manhã e regressa à tarde da cidade mais próxima - Esteli.
Apesar de tudo, a comunidade está longe de ter um nível de vida cómodo aos olhos ocidentais. O café dá para viver 3 meses do ano, 6 se a colheita for muito boa. As casas não estão ligadas à rede eléctrica. Têm painéis solares, o suficiente para luz, um rádio e uma pequena TV a preto e branco. Mas Adolfo diz: "não queremos estar ligados à rede nacional de electricidade, isso implica cortar muitas árvores e isso é o que não queremos." Conscientes da riqueza natural do sítio onde vivem, querem preservá-la através da agricultura biológica. O próximo projecto será apicultura, querem ter outra fonte de rendimento extra para poder manter os filhos na universidade.
O Eric pergunta a Adolfo como é que conseguem conviver com as pessoas com as quais travaram uma guerra? Ele diz-nos que tiveram de esquecer o ódio e perdoar "Não queríamos que os nossos filhos crescessem com ódio aos filhos deles, nem o contrário." Uma lição para o mundo!
Estou a aprender tanto aqui. Estou a aprender que com pouco se pode fazer muito. Estas famílias são um exemplo de solidariedade e generosidade, percebem que o bem comum é mais importante que o bem individual.
Don Adolfo mostra-nos as montanhas de Miraflor.

17.3.12

Paraíso Perdido

Depois de 2 horas num microbus apertado, por estradas surpreendentemente boas, chegámos a Léon. Em Léon parámos num mercado caótico, daqueles que onde se podem encontrar cebolas e pregos. Logo tivemos muitas solicitações: táxi, hostel, comida... Decidimos ir de táxi até à próxima paragem de autocarros. Claro que não chegámos a ir, depois de regatear o táxi levou-nos por 13 dólares até Poneloya. Aí explicaram-nos, com um sorriso, como chegar até à ilha de los Brasiles. Um barquito com 2 senhores magros e bem dispostos levou-nos ao outro lado por alguns córdobas. Mas ainda não tinhamos chegado. Tivemos de caminhar meia hora até à Finca Buena Onda. Com as suas palmeiras e sem galinhas ou outros animais domésticos, não me pareceu uma finca (quinta). Pousámos as mochilas pesadas e fomos dar uma vista de olhos. Passando o portão, as ondas explondem na praia: paraíso!
Por kilómetros ninguém na praia, por vezes algumas vacas ao pôr-do-sol...
Na finca vive uma jovem família com 3 filhos pequenos e mais um a caminho. Têm água do poço e um sistema de distribuição movido por uma bicicleta. Painéis solares para luz e televisão. Uma cozinha com  fogo a lenha e tranquilidade. O que mais há aqui é tranquilidade e tempo para fazer nada.
Não têm muitas árvores de fruto mas têm mangas e cajus. Não há horta. Aqui para comer só mesmo peixe, acompanhado com arroz, feijões e tortilhas. Vida simples.
A noite chega e com ela as estrelas mais brilhantes que recordo ter alguma vez visto. O céu tem um desenho diferente aqui. Mais uma vez penso: paraíso!
A única que coisa que não compreendo é porque é que com este mar à porta de casa e com este tecto de estrelas, eles estão a ver telenovelas?
Amanhã partimos para Léon. Daqui levo uma concha que o Eric encontrou e a certeza que deixámos o lugar da mesma forma que encontramos, para que outros possam encontrar este paraíso perdido.
a nossa tenda

sistema de colecta de água do poço

8.3.12

a caminho da Nicarágua...

As mochilas estão prontas, o lanche para o caminho até ao aeroporto também. Vão ser 19 horas entre aviões e 4 aeroportos. Pode ser muito para uns mas não para mim. É apenas o 1º dia da aventura na América Central, que iniciamos na Nicarágua. Espero ter energia e internet para ir dando notícias por aqui.
Hasta pronto!

20.2.12

para quem se interessa pelos direitos das mulheres e igualdade

recomendo o blog Mujeres no elpais.com
O blog é escrito por diferentes jornalistas e colaboradores com ponto de vista diferentes. Tem notícias e artigos sobre realidades e países diferentes. Eis aqui um exemplo:


Comisarías para mujeres en Nicaragua

Por:  15 de febrero de 2012
Por Mónica Hernández

Cartel de una campaña por la igualdad en Nicaragua. MÓNICA HERNÁNDEZNicaragua se sube al exiguo carro de países latinoamericanos que tipifican la violencia de género contra la mujer como feminicidio. México o Perú son otros ejemplos. A partir de ahora, “matar a una mujer en el marco de las relaciones desiguales de poder entre hombres y mujeres, ya sea en el ámbito público o privado...” se llama feminicidio y va a estar penado hasta con 30 años de cárcel. Esto supone, al menos, elevar las penas para agresores y homicidas con la aprobación de la nueva ley. notícia completa aqui.
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