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16.10.13

viajantes, nós e os outros

Quando comecei a escrever este post, queria escrever sobre viajar na Alemanha, viajar em Inglaterra e viajar de autocarro, coisa que parece extinta. Mas por falta de tempo e pelas mesmas viagens, fui lendo jornais, fui lendo notícias sobre outros viajantes. Outros viajantes, que ao contrário de mim, não são bem-vindos onde chegam, se chegarem e não são queridos donde partem. Falo dos milhares de refugiados as portas da Europa. Depois de ler notícias destas e destas. O meu post pareceu-me ridículo. Aqui estou eu a balbuciar sobre viagens na Europa, encontros com amigos e familiares, alegrias e inconvenientes como atrasos, avarias ou cansaço, e milhares estão a arriscar as suas vidas por uma réstia de esperança que a Europa os salve. O que me faz diferente de estes milhares? Não sei... eles também tem família e amigos, ou já tiveram e perderam, eles também tem sonhos e medos como eu. Acho que a diferença entre mim e eles é que eles estão do lado de lá e eu tive a sorte de nascer do lado de cá.

Não, não estamos todos no mesmo barco. Nem do lado de cá. Depois de ouvir as declarações do ministro alemão do interior Hans-Peter Friedrich (mais sobre políticas aqui) a dizer que os emigrantes em Lampedusa são um problema de Itália, não há duvidas e não há respeito pela vida humana. Onde esta o respeito pelos direitos humanos, que a Europa gosta tanto de exigir aos países do terceiro mundo? E se há um terceiro mundo, quem e que o criou? Não foi Deus com certeza.

Perante todas estas questões, a minha pequena realidade parece muito pequena para fazer alguma diferença.
Mas faz. Tenho que acreditar que faz. Como as gotas no oceano ou os grãos de areia no deserto.

O que fazer? Amar, amar perto e longe. Continuar a amar a família e os amigos e a vida. Continuar amar os que estão longe e há tantas formas de o fazer. Lutar por justiça e igualdade, defender os direitos humanos e acima de tudo consumir com consciência.

"mi vida la deje entre ceuta y gibraltar" Clandestino - Manu Chao

14.1.13

ano novo. país novo.

Desde que regressei da América Latina que não tenho dado notícias a nível pessoal. Nestes últimos meses matei saudades da família, dos amigos e de Portugal. Também foram momentos de reflexão e tomada de decisões para os próximos meses. Quem me conhece ou quem tem acompanhado este blog consegue adivinhar que o meu futuro passará pela vida rural (ou ruralidade urbana). Acredito que mais tarde ou mais cedo, todos nós teremos de reaproximar-nos da terra, do meio ambiente e viver em mais harmonia com a natureza.
Embora Portugal seja um país que ofereça oportunidades para quem quer mudar-se da cidade para o campo (há imensas comunidades, projectos e coisas fantásticas a acontecer, recomendo a consulta do site da Rede de Transição e Permacultura), antes de uma grande mudança é necessário preparação. 2013 será um ano de preparação e esperança. Neste momento a Alemanha oferece-nos melhores condições para estudar, trabalhar, poupar e preparar o futuro que será em Portugal, esperamos! Custa-me partir, custa-me ver muitos dos meus amigos emigrar por não terem oportunidades. Não é justo! Mas acredito que muitos, como eu, sonham em regressar e fazer parte da mudança que terá de acontecer.
primeiros dias de neve na Alemanha (foto tirada em Weimar)

O primeiro passo será aprender alemão. Tarefa nada fácil mas até agora tenho tido bastante motivação. Apesar de muitas pessoas falarem inglês, não é possível viver e trabalhar (num emprego normal) sem falar alemão. Diria até que é mais fácil viver em Portugal sem falar português do que viver na Alemanha sem falar alemão. Mas o Eric e a sua família tem me incentivado bastante a aprender. O meu curso começa só em Fevereiro, até lá sou autodidacta.
O segundo passo será encontrar um apartamento, também não tem sido uma tarefa fácil. Com o preço das rendas na Alemanha, a solução passa por dividir apartamentos. Convém ter afinidade com as pessoas com quem vamos viver, já que vamos ter de dividir muito com el@s.
O terceiro passo será encontrar trabalho. Pelo que percebi não é difícil para os alemães encontrar trabalho, é difícil encontrar um trabalho que  gostem ou que lhes dê condições para uma vida saudável. Aqui muitas pessoas trabalham por turnos ou em horários que não lhes permitem ver a luz do sol (quando faz sol ;). O que procuro é apenas um trabalho que seja compatível com o horário do meu curso e me ajude a pagar as contas. Trabalhar na área em que estudei está fora de questão com o meu nível muito básico de alemão.

Claro que também há muitas oportunidades a nível social e activismo: Movimento de Transição em Weimar (a cidade onde irei viver), movimento pro agricultura solidária, squat e claro, muitas manifestações ao longo do ano, sobretudo anti-nazis.

Vou tentar ir dando notícias por aqui ou pela minha conta do twitter. Apesar de estar no facebook, não gosto muito de colocar informação pessoal lá.

Que 2013 seja um ano de esperança renovada para todos os que lutam por paz e justiça!

31.1.12

O que levarias?



Um pequeno filme da Amnistia Internacional realizado por Marc Silver. Este filme pede aos espectadores para se colocarem nos sapatos de um emigrante durante 3 minutos e imaginar o que é ser forçado a deixar para trás a sua casa e país. Vê como podes ajudar a fazer diferença em http://sendsocks.org
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